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Sexta-feira, Outubro 14, 2005 Sobre a gripe das aves (2)
Comentários:
A pergunta que se deveria fazer e: porque adquirir um stock tao grande. O HPAI tal qual se encontra actualmente nao e transmissivel de humano para humano (ou fracamente transmissivel o que em termos epidemiologicos vai dar ao mesmo) para que uma pandemia se forme o virus tera de sofre mais uma mutacao.
Ora a estirpe actual e sensivel ao tratamento anti-viral (mas nao muito diga-se a bem da verdade) quando ocorrer mutacao pode ate suceder que o virus se torne insensivel ao anti-viral!
Caro DL:
Os medicamentos anti-virais sao tradicionalmente pouco eficazes, actualmente voce tem umas pomadas contra o herpes, e acima de tudo cocktails contra o HIV, ora se investigar nenhum deles cura pessoas, reduzem sintomas, adiam o inevitavel... Porque? Devido a diferente natureza dos virus e muito mais dificil desenvolver substancias que sejam especificamente toxicas so para virus e nao toxicas (ou pouco toxicas) para organismos multicelulares como o Homem (ja reparou como os anti-virais tem sempre muito mais efeitos secundarios que os antibioticos? e ainda por cima menos eficazes!). Que quero eu dizer com este palavreado todo? Que contra virus nao existe "balas magicas". O que existe e prevencao.
Continuacao:
Ora no caso da gripe das aves o que situacao e que temos? 1 - Um virus importante em termos de saude animal mas de fraca importancia (por enquanto) para a saude humana. 2 - A possibilidade desse virus mudar e tornar-se patogenico para o ser humano. 3 - Uma droga carissima (cara de produzir e, cereja no topo do bolo, produzida exclusivamente por um laboratorio) 4 - Eficacia reduzida: nao resulta em todos os pacientes, tem efeitos secundarios e o efeito mais provavel e reducao da intensidade dos sintomas. 5 - Um virus que tem de mudar para se tornar perigoso para o Homem. Se e quando essa mudanca se der o virus podera ficar mais sensivel ao anti-viral, menos ou exactamente igual, pode ate ficar extremamente sensivel a OUTRAS drogas anti-virais! Nao se sabe, ainda nao existe, e uma ameaca abstracta. 6 - Recursos escassos e muitas outras desgracas para tentar combater. 7 - Outros meios de combater epidemias: isolamento de doentes, quarentena, treino de equipas especializadas de actuacao rapida no terreno, desinfeccao de instalacoes, treino das pessoas em higiene pessoal. Todos estes meios sabemos que a sua eficacia NAO e variavel com o virus e necessitam de ser colocados no terreno se uma epidemia ocorrer e sao precisos recursos para os preparar. Portanto a minha pergunta permanece: porque manter um stock tao grande? O que andam a fazer os nossos parceiros europeus? Nao seria mais sensato fazer protocolos para todos os Estados-membros partilharem os seus stocks em caso de necessidade?
No que respeita aos estados-membros, a França também constituiu um stock, ao nível do Estado, com uma encomenda de 13.8 milhões de tratamentos. Nas farmácias o medicamento em cápsulas já esgotou porque estas fizeram as encomendas baseadas na procura do ano passado(ver aqui).
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