Sexta-feira, Setembro 07, 2007
Triste
Recolho em A Terceira Noite estas palavras extraordinárias que terá dito o novo director do MNAA em entrevista a Mário Crespo: [com demasiado público nos museus] «não há seriedade (sic) para a contemplação de um quadro». E que [os museus portugueses devem manter as ambições] «à escala do país que de facto somos».
Será possível visão mais limitada da museologia? Será que a vocação museológica se resume à conservação da obra e à fruição estética de um punhado de apreciadores? (sendo que muitos terão despertado para a arte em viagens da adolescência a Paris ou a Florença onde, ali sim, tiveram experiências de contemplação não-séria...)
Os museus portugueses devem manter as ambições à escala do país que de facto somos? De que lugar perdido no tempo terá saído esta mentalidade? Saberá o senhor que perpetrou estas palavras que existem inúmeros portugueses que todos os dias trabalham para satisfazer ambições que excedem em muito «a escala do país que de facto somos»? Que a nossa presença na UE já permite exceder largamente «a escala do país que de facto somos»? Que «a escala do país que de facto somos» não se mede pelas fronteiras das mentalidades?
Num momento em que os grandes museus atraem cada vez mais público e se projectam no exterior (veja-se o caso da planeada presença do Louvre em Abu-Dhabi), este é um sinal deprimente e que não augura nada de bom para os próximos tempos no MNAA. Etiquetas: artes, mundo, país
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