Quarta-feira, Outubro 07, 2009
Um filme menor
 Dizem que "Abraços Desfeitos" é um filme menor de Almodóvar. Seja: "Abraços Desfeitos" é um filme menor de Almodóvar. Mas "Abraços Desfeitos" é um dos poucos filmes de Almodóvar com uma personagem principal masculina, heterossexual, que não é um canalha nem um agressor compulsivo (para isso está lá outro). Bem sei que o homem simpático é um ex-realizador-tornado-argumentista após um traumático acidente que o deixou cego e com perturbações de identidade (isto é, simbolicamente amputado), e que sem-o-saber-sabendo-o é pai do filho da sua agente, que ao mesmo tempo é também seu guia e protector (simbolicamente seu pai). Mas não queiramos o banal braço quando nos é estendida a requintada mão. Feitas as contas, "Abraços Desfeitos" é um filme inovador no universo da marca do director mais famoso de Espanha, e ao mesmo tempo mais clássico do que a sua anterior filmografia. Em certa medida, é o pequeno Vertigo de Almodóvar, com mais paixão e menos mistério: Lluis Homar é o James Stewart traumatizado que salva a falsa loira Penélope Cruz das garras do terrível e poderoso amante, apenas para perdê-la para sempre. Muito poderia também ser dito sobre a figura do realizador documentarista, cujos filmes voyeuristas o pai visiona numa sala escura, acompanhado apenas por uma mulher que lê os lábios com uma voz monocórdica. Mas para isso precisaríamos de um psicanalista lacaniano esloveno que, por enquanto, ainda não colabora neste blogue. Etiquetas: Almodóvar, cinema
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